Ribeirão Preto, uma cidade marcada pela incompetência política e por denúncias de corrupção.

DNA DA CORRUPÇÃO

Ribeirão Preto cresce, e talvez tenha se acostumado, com a marca pesada de denúncias de corrupção na política local.
A história mais recente, pós Sevandija, tem características muito transparentes que demonstram que a situação pode não ser de casos isolados. E é preciso entender o que isso quer dizer e quais as camadas sociais atingidas.

Desde a administração do ex-prefeito Antônio Palocci Filho, vemos políticos enrolados, muitas vezes quase afogados, em esquemas de ações ilegais. Detalhe, é que nem sempre essas ilegalidades são plenamente comprovadas e, em muitas das vezes, temos no ar aquele “cheiro” de finalidade política em denúncias que suas investigações se arrastam por mais de uma década.

OPERAÇÃO SEVANDIJA

Exemplo disso, a Operação Sevandija, que subtraiu do cenário político de Ribeirão Preto uma de suas figuras mais proeminentes, a ex-prefeita Darcy Véra. É importante registrar que o processo contra a ex-prefeita, integrantes de sua gestão e vereadores da Câmara Municipal, não foi concluído, não há condenação transitada e julgada e muito menos pode-se retirar dos acusados nos processos a presunção de inocência e o direito a dignidade.

Nota de dois reais com anotações das iniciais de nomes de integrantes do poder público de Ribeirão preto que teriam recebido propina. Investigação GAECO, Operação Sevandija 2016.

Mesmo que muitos dos acusados tenham sido presos preventivamente, nenhum deles está definitivamente condenado. Pesa ainda sob o processo o fantasma da famosa “Operação Spoofing” que atribui a muitos dos investigadores condutas abusivas ou ilegais. A “Spoofing” é resultado do vazamento de dados e mensagens das investigações feitas pelo Ministério Público por parte do hacker Walter Delgati, a famosa “Vaza-Jato”.Delgatti está preso atualmente, devido a participação em outro esquema ilegal, desta vez por ter atuado na invasão do sistema de informática do STJ – Superior Tribunal de Justiça, a mando da ex-deputada nascida em Ribeirão Preto, Carla Zambelli, condenada a 5 anos e 3 meses de prisão, hoje encarcerada na Itália e aguardando extradição para cumprimento de pena no Brasil.

O hacker Walter Delgatti e a ex-deputada Carla Zambelli em encontro para discutir a invasão ao sistema do STJ.

OPERAÇÃO TEMIS

Outro caso de corrupção de grande repercussão é o investigado na “Operação Temis” que apurou e comprovou um esquema de captação ilegal de dados de eleitores de Ribeirão Preto por um grupo que tinha como um de seus integrantes o atual presidente da Câmara Municipal de Ribeirão Preto, o vereador Isaac Antunes (PL).  Integrantes da quadrilha denunciada pelo Ministério Público foram condenados, entre eles advogados ligados ao vereador, em penas que chegam a mais de 20 anos de prisão. Após investigação feita pelo GAEO – Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado e pela Polícia Civil, Isaac Antunes foi indiciado pela Polícia Federal acusado dos crimes de associação criminosa e crime eleitoral na eleição de 2016.

Isaac Antunes durante a campanha para eleição de vereador, ao lado de populares que buscaram o projeto Muda Ribeirão com a esperança de limpar seus nomes.

A “Operação Temis” investigou que o projeto “Muda Ribeirão” encabeçado por Antunes captou dados de eleitores prometendo limpar o nome das pessoas e que os dados foram usados, posteriormente, para ingresso de milhares de ações judiciais com a finalidade de receber indenizações em nome das pessoas que caíram no golpe do projeto “Muda Ribeirão”, sem que tivessem conhecimento das ações e dos valores pagos e recebidos pelos integrantes da quadrilha. Ao todo, as fraudes somam mais de R$ 100 milhões. A justiça de São Paulo suspendeu mais de 53 mil ações que tramitavam no Tribunal de Justiça, outros 30 mil recursos, e ainda processos em comarcas no estado de Minas Gerais.
Ou seja, os eleitores que buscavam limpar o nome e acabaram caindo no esquema criminoso do projeto “Muda Ribeirão”, tinham seus dados utilizados pela quadrilha que recebia indenizações em nome destas pessoas, sem que estas tivessem conhecimento.

Reportagem da EPTV Ribeirão mostra audiência com promotor, onde Isaac Antunes confessar a participação nos crimes os quais era acusado.

Integrantes do esquema criminoso foram condenados e alguns presos. O Ministério Público de São Paulo ofereceu ao vereador Isaac Antunes um acordo de não persecução penal, paralisando o processo sem que o vereador fosse condenado. Para isso, Isaac teve que confessar sua culpa e participação nos crimes aos quais era investigado. Dois assessores do vereador foram acusados e confessaram culpa. São Eles Chafik Ferreira Scalon e Luciana Martins Barnabé. Foram condenados os advogados Renato Rosin Vidal (8 anos), Klaus Phillip Lodoli (27 anos e 6 meses), Ângelo Luiz Feijó Bazo (4 anos), Gustavo Caropreso Soares de Oliveira (24 anos), Thales Vilela Starling (6 anos), Douglas Martins Kauffmann (6 anos), Clóvis ângelo (11 anos); os empresários Ramzy Khuri da Silveira (4 anos), Ruy Rodrigues Neto (4 anos); e, o funcionário da associação “Eu vou trabalhar”, Luiz Felipe Naves Lima condenado a 4 anos. Todas as penas são de reclusão em regime fechado (acima de 10 anos) ou semi-aberto (acima 6 anos). Para as condenações de 4 anos, regime aberto, mas com substituição de pena para restritiva de direitos, serviços comunitários e multa.
Isaac Antunes e seus assessores receberam como pena o fornecimento de cestas básicas e multas. Apesar de ter confessado a prática de crimes, em procedimento disciplinar aberto por comissão processante na Câmara Municipal de Ribeirão Preto a denúncia contra o vereador e o pedido de cassação de mandato foram arquivados, declarando Isaac Antunes politicamente inocente das acusações.

CINCO VEREADORES ACUSADOS DE RACHADINHA

A polícia Civil de Ribeirão Preto abriu investigação com a finalidade de apurar a existência de esquemas de rachadinha em gabinetes da Câmara Municipal de Ribeirão preto. A denúncia foi feita por um assessor parlamentar com base em declarações de outros assessores que seriam obrigados a dividir seus salários com os vereadores titulares de seus gabinetes. Foram denunciados os vereadores Sérgio Zerbinato, Lincoln Fernandes, Maurício Gasparini, Igor Oliveira e Bertinho Scandiuzzi.
O inquérito policial foi concluído com oitiva (depoimentos) de indicados e assessores, assim como dos vereadores denunciados, sendo arquivado por falta de comprovação dos fatos denunciados, diante da negativa expressa de todos os ouvidos, assessores e vereadores, que declararn nunca terem participado de qualquer esquema de “rachadinha” envolvendo os salários pagos pela Câmara Municipal.
Em despacho que solicita o arquivamento do inquérito policial 1502974-04.2022.8.26.0506, 3ª Vara Criminal da Comarca de Ribeirão Preto , o promotor Dr. Daniel José de Angelis (MPSP), declara que “a denúncia ou notícia crime apresentada pelo denunciante (identidade preservada – sigilosa) se limitou às suas palavras, já que o próprio, durante o seu depoimento, afirmou não possuir outros elementos que pudessem comprovar o ocorrido. Aliás, a testemunha Eliezer Guedes, por ele indicada, não corroborou a existência do peculato na forma nada. Em resumo, não foram produzidos elementos informativos suficientes para a comprovação do suposto crime, sendo certo que a fragilidade das provas inviabilizada o início da ação penal e recomenda o arquivamento do feito. Nesse sentido, por ausência de justa causa, requeiro o arquivamento dos autos, ressalvado, entretanto, o disposto no art. 18, do Código de Processo Penal.”.

SÉRGIO ZERBINATO

O ex-vereador Sérgio Zerbinato (PSDB) em sessão da Câmara Municipal de Ribeirão Preto. Foto divulgação CMRP.

A denúncia feita pela ex-assessora do ex-vereador Sérgio Zerbinato (PSDB) na Câmara Municipal de Ribeirão Preto, Ivanilde Rodrigues, relatava que dos R$ 7.973,42 de seu salário, Ivanilde deveria repassar todo mês R$ 3.000,00 para Dalila Zerbinato, irmã do vereador. Na denúncia ainda constam detalhes sobre o uso de funcionário do gabinete do vereador em “projetos sociais” pessoais como um “sopão” popular. Funcionários deveriam conseguir doações junto a comerciantes para que o “sopão” pudesse ser feito. Havia uma verdadeira estrutura operacional bancada com dinheiro público. A Câmara Municipal de Ribeirão Preto inocentou politicamente o vereador Sérgio Zerbinato que, mais tarde, foi condenado pela Justiça do estado de São Paulo a 5 anos de prisão pelos crimes de concussão (Art. 316 CP) e peculato (Art. 312 CP). A sentença condenatória de Zerbinatto ainda não transitou em julgada e ainda cabem recursos.

BRANDO VEIGA

Vereador Brando Veiga (Republicanos) em sessão da Câmara Municipal de Ribeirão Preto. Foto divulgação CMRP.

O vereador do Republicanos, Pastor Brando Veiga, foi denunciado por suposto uso de notas fiscais frias e uso irregular de funcionárias de seu gabinete na Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto durante a campanha para reeleição em 2024 ao cargo de vereador.

As notas fiscais frias apresentadas na prestação de contas do vereador seriam de da empresa de um “fiel” da Igreja Universal do Reino de Deus, onde Brando era pastor. Tais notas seriam para justificar falsamente gastos com a produção de material publicitário para a campanha que, de acordo com a denúncia, teriam sido feitos pelas ex-assessoras denunciantes e não pela empresa que emitiu as notas. Assim, os gatos declarados não teriam sido realmente feitos e o serviço declarado seria inexistente. Na acusação elas declaram “Fomos nós [ex-assessoras] que fizemos todo o material de campanha, não houve terceiro, não houve empresa. Houve uma empresa que fez a parte de tráfego pago, mas apenas porque eu não quis fazer (…) ele nunca nos pediu para tirar férias, nunca fez qualquer pagamento por fora”.

BIGODINI

Vereador Bigodini (MDB) em sessão da Câmara Municipal de Ribeirão Preto. Foto divulgação CMRP.

Outro denunciado é Roger Ronan da Silva, o Bigodini (MDB). O vereador foi filmado saindo de um carro após incidente grave de trânsito ocorrido na Av. do Café, em Ribeirão Preto. As imagens mostram Bigodini cambaleando e precisando se apoiar no veículo para permanecer em pé, enquanto sua namorada dava a volta no veículo para entregar uma garrafa de bebida alcóolica um popular. Gravações de câmeras de segurança mostram o carro conduzido pelo vereador, descontrolado e em alta velocidade atingindo um poste e uma placa de sinalização.
Inicialmente, o boletim de ocorrência relatava que o condutor do veículo seria a namorada e não o vereador. Após versões conflitantes nos registros da Polícia Civil e da Polícia Militar, foi aberta investigação dos fatos, constatando que Bigodini estava dirigindo o veículo após o consumo de bebidas alcóolicas em uma festa, dirigindo o veículo a aproximadamente 180km/h em uma rodovia da volta de Ribeirão Preto e posteriormente causando o incidente. A Polícia Civil constatou a fraude processual cometida por Bigodini e sua namorada durante os depoimentos, declarando falsamente os acontecimentos.

Apesar do pedido de cassação de mandato do vereador ter sido acolhido, o Conselho de Ética da Câmara Municipal de Ribeirão Preto, decidiu afastar o vereador mantendo seu mandato. Bigodini responde a processo na justiça de São Paulo e ainda não foi julgado.

LINCOLN FERNANDES

Vereador Lincoln Fernandes (PL) em sessão da Câmara Municipal de Ribeirão Preto. Foto divulgação CMRP.

Na semana passada, o vereador Lincoln Fernandes foi denunciado pela prática de suposto esquema de rachadinha em seu gabinete. Segundo a denúncia, Lincoln exigia até 70% do valor de salários dos assessores como devolução, que deveriam ser pagos em espécie ou em forma de empréstimo consignado, onde o valor tomado por empréstimo era totalmente entregue ao vereador, ficando ao assessor as parcelas relativas ao valor tomado emprestado.
A denúncia foi feita pelo influenciador e pré-candidato a deputado federal pelo Avante, Hágara Espresola Ramos, mais conhecido como “Hágara do Pão de Queijo”. Nas redes sociais do influencer foram publicados vídeos com ex-assessores de Lincoln Fernandes que relatam o possível esquema praticado no gabinete do vereador. Uma das publicações traz falas de dois ex-assessores, Marcos Fabiano dos Santos, conhecido por Bim, e Ana Paula Vicentin, que afirmam terem sido obrigados a devolver parte de seus salários sob forma de rachadinha.

Bim, atualmente, é nomeado no gabinete do vereador Isaac Antunes (PL), na função de Chefe de Gabinete e Ana Paula Vicentim é nomeada na RP Mobi no cargo de Coordenadora Escola Pública de Trânsito e não pertencem ao gabinete do vereador Lincoln Fernandes há pelo menos 2 anos. Fabiano trabalhou com Lincoln Fernandes entre os anos de 2007 e 2023, Ana Paula entre 2020 e 2024. Posteriormente, Fabiano trabalhou com outros vereadores e também ocupou cargo comissionado na RP Mobi, onde Ana Paula está nomeada hoje.

Lincoln Fernandes se recusa a falar com a imprensa e não emitiu nenhum comunicado pelas redes sociais. Silêncio total.

OS CORREDORES DO PODER FALAM

Fontes dentro do poder municipal relatam que Lincoln Fernandes só foi denunciado após a explosão de um conflito com o presidente da Câmara Municipal, vereador Isaac Antunes. Todas as fontes relatam preocupação com o fato, devido a proporção que ele pode tomar. Afinal, tanto Lincoln quanto Isaac Antunes eram considerados “unha e carne”, vistos frequentemente juntos e demonstravam dentro da casa de leis, publicamente, comprometimento um com o outro. Inclusive, são integrantes do mesmo partido, o PL.

Segundo relatos, o conflito entre os dois vereadores começou após Lincoln Fernandes ter dado início a uma possível investigação de fatos ligados a Isaac Antunes, dentro do processo de inventário familiar.  Desde então, a gravidade do conflito tem escalado e a atual denúncia contra Lincoln é atribuída a um possível desdobramento do conflito.
Não se pode ignorar fato de que o influencer e denunciante, “Hágara do Pão de Queijo”, era integrante do PL e, até sair do partido era suplente da legenda para ocupar cargo de vereador.

CONTROVÉRSIAS ENTRE ACUSAÇÕES E DEPOIMENTOS

Apesar de nos corredores do parlamento, o desenho deste conflito ter contornos de uma possível vingança pessoal, e se dar como provável a cassação do vereador Lincoln Fernandes, a denúncia pode levar a investigação além dos fatos nela contidos. Existe uma grande controvérsia na declaração feita pela ex-assessora Ana Paula, o que acaba jogando luz na denúncia arquivada em 2022, que investigava a existência de esquemas de rachadinha no gabinete de ao menos cinco vereadores, incluindo o de Lincoln Fernandes.

Isso porque, Ana Paula foi uma das depoentes do inquérito de 2022 que investigava o esquema, e como funcionária do gabinete de Lincoln Fernandes negou ter conhecimento de qualquer esquema ilegal. “Desde o seu ingresso no gabinete, e até os dias atuais, em momento algum foi solicitado pelo vereador o repasse de valores do seu salário, bem como para terceiras pessoas indicadas por ele e em momento algum realizou pagamentos de contas, aluguel, boletos, em benefício do vereador. Não tem conhecimento de que essa rotina aconteça com algum outro assessor vinculado ao gabinete do vereador Lincoln.”, declarou Ana Paula Vicentim em seu depoimento no inquérito policial.

Imagem do depoimento de Ana Paula em inquérito policial de 2022 quer investigava possível esquema de rachadinha em gabinetes da Câma Municipal de Ribeirão Preto.

Fato é que, agora, em 2026 ela contradiz sua declaração no inquérito, declarando literalmente o contrário do que havia dito. Essa é uma controvérsia grave e que demonstra existir uma fina linha que separa a verdade da mentira.
Uma controvérsia desse calibre demonstra que uma das duas declarações da ex-assessoras não é verdadeira. Mas qual delas é real e qual, não é?

É preciso que os fatos presentes na denúncia sejam minuciosamente investigados, assim como pessoas e objetivos de cada denunciante. As motivações, os documentos e trazer a luz o que realmente aconteceu, quem é o interessado na denúncia, quem a montou e quem a fez, qual a verdadeira face de tudo.
A denúncia feita em 2022 precisa ser reaberta e ouvidos ex-assessores que não estão no processo original, como por exemplo o Sr. Marcos Fabiano, o Bim, que diz ter todos os documentos que comprovam as denúncias. Quem mentiu no processo e obstruiu a aplicação da justiça também precisa ser investigado.

Com mais de 35 anos de jornalismo existe uma máxima que aprendi a nunca ignorar, nada é exatamente como parece, tudo precisa ser investigado e é necessário aprender a ouvir palavras que não foram pronunciadas, mas foram ditas no contexto das declarações.

Rodrigo Leone
Rodrigo Leonehttps://sp016.com.br
É fundador e autor do portal SP016. Jornalista, profissional da voz e produtor de conteúdo, especialista em inteligência artificial e seu trabalho é voltado para a transparência pública e ao jornalismo investigativo.
Rodrigo Leone
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